A empresa espanhola Puleva iniciou uma operação de aquisição de leite na zona sul de Portugal, estando instrumentalmente a utilizar um comprador português para, dessa forma poder cumprir os formalismos previstos no sistema comunitário de quotas leiteiras.
Apesar de cumpridos aqueles formalismos e de, aparentemente, nenhuma ilegalidade haver sido cometida, é considerado bastante estranho que essas aquisições sejam feitas nos moldes e pelos valores em que são realizadas. Além disso, os responsáveis da empresa deram já conta que os quantitativos de leite actualmente recolhidos em Portugal poderão crescer substancialmente num futuro próximo.
Assim, os preços praticados são substancialmente superiores aos que os outros operadores a actuar naquela mesma região praticam, podendo conduzir a uma espiral de inflacionamento dos preços, em tudo contrária ao necessário posicionamento competitivo num mercado cada vez mais globalizado e em que as marcas de distribuidor ocupam uma crescente fatia do mercado.
Mas mais estranho parece ser que esta actuação – a compra inflacionada de leite no sul do nosso país – justificada pela escassez de leite no raio leiteiro da sua fábrica de Granada, contradiz a acção desta mesma Puleva que, como noticiava o Diário de Jerez em Janeiro último, anunciava uma nova descida do preço à produção, de um cêntimo de euro por litro, a segunda do mesmo valor no espaço de seis meses.
Finalmente, é igualmente considerado estranho que a Puleva implemente esta operação de recolha argumentando que os custos de transporte implícitos são substancialmente mais baixos do que aqueles que seriam gerados pela deslocação de leite da regiões mais fortemente produtoras de Espanha – por exemplo, a Galiza – e, em simultâneo, esteja disponível para pagar um preço bastante superior ao exigido pelo mercado, sendo que esse diferencial de preços anula - de todo - a vantagem que poderia ser retirada do inferior custo de transporte.
A indústria láctea espanhola, numa acção encabeçada pela nossa congénere FENIL, tem vindo a desenvolver um esforço de comunicação relativamente à necessidade de contenção dos preços à produção, esforço justificado, entre outros motivos, pelo diferencial de preços e consequente pressão competitiva do sector lácteo da vizinha França. Essa acção tem colhido a simpatia da indústria de lacticínios portuguesa a qual também considera que deveria existir uma aproximação dos preços ibéricos do leite à produção daqueles que são pagos em França.
Parece, no entanto, ser difícil aceitar que, para não colidir com o equilíbrio que a custo, mas paulatina e corajosamente, vem sendo construído em Espanha, as empresas do país vizinho entendam que podem, sem qualquer constrangimento, vir abastecer-se em Portugal (o que nada tem de extraordinário!!...) e inflacionar o mercado luso, no que parece ser a tentativa de alcançar dois objectivos com uma única acção:
- Recolher as quantidades necessárias à rentabilização das unidades industriais situadas em zonas onde o abastecimento de matéria-prima é mais complexo;
- Inflacionar os preços do leite em Portugal, retirando, por essa via, competitividade transfronteiriça aos produtos lácteos portugueses.
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Nota de Prensa enviada por:
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- Empresa: JMC - Uma Empresa do Grupo GCI
- Persona de Contacto: Alexandra Abreu - (Directora de Comunicação Corporate)
- Forma de Contacto: aabreu@grupogci.net
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